sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Hey Você!

Lembra-se de quando dormíamos en-cantados?

Você que me visita todas as noites...
Lembra-se?
Nossos corpos se encaixavam de tal forma que nos torvávamos Um!
De quando só acreditávamos ser tudo realidade
Porque escutávamos o som indesejado do despertador!?

Mas hey, não tenhas tanta certeza de que és Você!
Pode ser Outro você!
Ou se tiverdes essa certeza, ...

Então, talvez não seja em vão todos os
Pensamentos e lembranças inconvenientes que
Assolam a memória e sentimentos noite adentro.

Lembra-se de quando dormíamos nus,
Exaustos de tanto amor...?
Lembra-se da Lua Cheia a nos velar?
Abençoou nossa união e ainda chora nossa distância!

Lembra-se dos nossos planos em Participar? Das nossas certezas em Ser?
Lembra-se de nós?

Talvez a mera lembrança já seja uma alegria de que tudo não foi apenas
Ilusão.
Fantasias de meninA-mulher sedenta de realizações em(com) quem confia.De quem acreditou (mais do que ser um parêntese finito!)

sábado, dezembro 27, 2008

Pensamentos Obstruídos

Pensei em escrever sobre natais estranhos (ou um natal estranho);
Pensei em escrever sobre ser surpreendida (positiva ou negativamente);
Pensei em escrever sobre planos para viagens de última hora com a família como se fossem sua tábua de salvação;
Pensei em escrever sobre o momento em que me perdi;
Pensei em escrever sobre os pedaços de mim em que ainda acredito;
Pensei em escrever sobre os castelos que construímos com a ajuda de alguém que lhe faz acreditar em sentimentos sólidos, mas de repente, era só areia;
Pensei em dialogar com textos e vozes que me são tão importantes;
Pensei em tentar entender sobre sentimentos tão fortes dentro de mim;
Sobre como diluir ou simplesmente arrancá-los de dentro de mim!
Ando pensando em muitas coisas...
Por tantas vezes queria conseguir me eximir dos pensamentos e manter apenas o silêncio.
Enquanto isso.. .tá tudo muito misturado...uma grande massa de elementos que se confundem e me fazem ir seguindo, buscando e persistindo, mesmo sem grandes certezas. Sem continuidade, quase sem forças, mas tentando olhar pra frente (ou pro céu).

Thais – 27/dez/2008

terça-feira, dezembro 23, 2008

Feridas

A ferida é oculta! Não há resquícios abertos aos olhos corriqueiros se não pelas frivolidades aparentes de quem a sente. O machucado borbulha no anseio de que remédios e o tão aclamado tempo lhe seja complacente. As frases tão repetidas que lhe jogam completa responsabilidade sobre suas atitudes já parecem quase um mantra.

É difícil compreenderem que há uma distância entre querer e nesta profundidade do sentimento, conseguir efetivamente sentir o que seu peito já acostumou a sentir de outras formas. As dores são latentes, mas silenciadas. Torturada pelas lembranças proibidas que lhe tiram o sono noite a dentro.

O sentimento acostumou a persistir. É difícil explicar-lhe que ele não vale mais à pena. A busca pela felicidade sente-se só depois que acreditou ter companhia. Cem mil poetas, todos eles só, não são capazes de decifrar as dores da alma. Escutei não me lembro onde, que o poeta assim como o cego, enxerga na escuridão.

Quem sabe ele veja um clarão pela frente! Quem sabe fogo que arde e desperta vida. Esperanças por dores menos doloridas. Certa de que a vida segue, mesmo que cheia de curativos internos e anseios ainda secretos do futuro. Sedenta por uma noite de sono que acalente os desejos reprimidos e traga tranqüilidade - se pedir alegria é demais por enquanto.

Thais – 22/dez/2008

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Lua e Flor

Eu sempre gostei de Oswaldo Montenegro. De vez em quando redescubro algumas de suas letras e o quanto elas revelam ... parecidas tão pessoais...

Às vezes ser impessoal e dizer através do outro nos torna menos melancólicos que assumir nossos sentimentos. O mundo não aceita muito bem o que trazemos dentro da alma.

Lua e Flor
Oswaldo Montenegro

Eu amava
Como amava algum cantor
De qualquer clichê
De cabaré, de lua e flor...

E sonhava como a feia na vitrine
Como carta que se assina em vão...
Eu amava
Como amava um sonhador
Sem saber porquê

E amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia, amanhece não...

Eu amava
Como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar
Eu amava, como jamais poderia
Se soubesse como te encontrar...

Parquinho de Infância

Quando a gente fica grandinho e supostamente maduro, mas mesmo assim não consegue bem entender as coisas à nossa volta, recorremos inconscientemente às memórias da infância. Nostalgia incentivada pelos pedaços já dilacerados que ficaram de tempos passados.

Folhas secas, galhos e alguns pedaços de lixo estão jogados pelo chão. O cercado parece reformado de não muitos anos atrás. Mesmo assim, o único meio de acesso é a portinhola derrubada no chão. Dentro estão ferros retorcidos, enferrujados, peças soltas e algumas das estruturas básicas fincadas ao chão seco.

Dos balanços e outros tantos que nem me recordo o nome, resta inteiro mesmo que com as cores descascadas, apenas o popular “trepa - trepa”. Sempre foi meu preferido. Como era divertido galgar até o ponto mais alto e de lá me virar de ponta cabeça, presa pelos joelhos e com os braços livres, quase testando a força de minhas pernas.

Agora, posso em pé, alcançar com os braços o topo da última barra de metal sem qualquer esforço. Com apenas dois movimentos é possível me sentar no alto. Mas, de repente, a visão já não é tão diferente de como há dez ou quinze anos. De todas as facilidades adquiridas, contraditoriamente, não quis me virar de cabeça para baixo. Já não era excitante e desafiante. Ou apenas a sensação de que teria dores de cabeça.

O silêncio acompanha aqueles momentos revividos dentro de mim. Chego a ter uma súbita vontade de revitalizar o parquinho de infância. Quem sabe se tornasse memória para outros também. Não apenas o parque abandonado do bairro. Não vou mentir, não era freqüentadora assídua, mas é parte do que consigo lembrar da minha infância.

Os pensamentos se vão e voltam outros, mais atuais e menos saborosos. Ainda não se passou tanto tempo que as folhas tenham secado e os galhos retorcidos se perdido. Perdemos as perspectivas do que deixar acontecer. Nem sempre sabemos qual é o ponto exato em que o parquinho começou a envelhecer e perdemos o controle sobre nossas vidas. De repente, as memórias são tão recentes e você não sabe como agir sobre elas...

Parecem grandes de mais para se guardar tão logo no baú de nossas almas.

Thais – 21/dez/2008

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Dos barulhos da natureza

O breu me convidou e aguçava meus ouvidos para os sons dos bichos e folhas
Ora sussurravam, ora gritavam.
Tão pouco conscientes do outro,
Por vezes confusos entre si,
Mas sempre harmonicamente:
aqui dois, acolá os demais.
A passarada nem sempre dorme tão cedo.
De repente vai emudecendo,
enquanto alguns relutam.
No céu, foram-se as estrelas.
De longe escutavam e murmuravam a poucos o que pensam das noites
Restou apenas uma. Só.
Mas por de trás da cortina de neblina,
Tenho certeza das milhares que faziam festa!

Psiu...!
. hey!
..
.

Se a gente ficar bem quietinho, é possível escutar a alegria!

Thais – 16/dez/2008

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Luz Crescente

De repente a lua crescente me enche os olhos e atrai a atenção que por tantos anos dediquei à lua cheia. De repente são as perspectivas e esperança que crescem junto! Tão singela, ainda em processo de formação e mesmo assim não deixa de marcar tua presença! Ilumina! Experiência por algum momento precisa ser iniciada. Caminhos nem sempre oferecem tantas alternativas, mas pelo menos um segue adiante. E o destino é inexorável. E acredito no meu destino tal qual ele me parece verdadeiro e justo, ainda que seja preciso esperar. A lua crescente traz pela primeira vez a beleza em ter serenidade. A lua crescente mostra-me a força da paciência. A luz crescente irradia lua!

sábado, novembro 29, 2008

Guardados pela Noite

Estamos resguardados e protegidos pela noite em nossa sinceridade e cumplicidade.
É como se nos aconchegássemos dentro da lua cheia e
a mesma tranquilidade e solitude de tantas noites passadas
agora me representa a serenidade e companheirismo por noites afora.
Tardes de domingo eram meus crepúsculos tristes e nostálgicos!
Agora saudosos de quem se faz presente em cada olhar,
em cada toque, em cada carinho, em cada palavra,
em cada silêncio, em cada beijo, em cada abraço, em cada sorriso, em cada pensamento!
Lembranças tão recentes que doem e consolam o peito que pulsa alegre novamente
quando se lembra que dessa vez o fim de tarde é tão breve quanto o tempo pra que eu esteja perto de você novamente!
Te quero! Quero te querer cada vez mais.
Quero ser merecedora dessa oportunidade
linda como o amanhecer diário.

escrito em 31/julho/2008

terça-feira, novembro 25, 2008

Ensinamento

"Não importa a velocidade, o que importa é o rumo."

por Sérgio Faria - inspetor aposentado do Banco Central e ajudante de geólogo sobre a expedição feita a São Félix do Xingú no interior de Mato Grosso, partindo de Brasília e passando por Goiás. Uma jornada de 1600km feita em 1958 para marcação do Centro Geográfico do Brasil e, em 2008, 50 anos depois para relembrar. Sérgio retornou ao local mesmo com câncer e auxílio de muletas.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Mapa Tempo

O tempo amanheceu fechado!
Combina c'alma triste e dolorida.
Carregada de lembranças, consigo assimilar como pode ser vazia a referência temporal.
Engasgada e remoída, só e ainda em pé!
O vazio é tamanho que me parece não haver mais nada a ser dito.
Resta apenas a esperança relutante. Resta a palpitação em cada espaço do corpo.
Um tremor que assusta e valida a tristeza!