De repente a lua crescente me enche os olhos e atrai a atenção que por tantos anos dediquei à lua cheia. De repente são as perspectivas e esperança que crescem junto! Tão singela, ainda em processo de formação e mesmo assim não deixa de marcar tua presença! Ilumina! Experiência por algum momento precisa ser iniciada. Caminhos nem sempre oferecem tantas alternativas, mas pelo menos um segue adiante. E o destino é inexorável. E acredito no meu destino tal qual ele me parece verdadeiro e justo, ainda que seja preciso esperar. A lua crescente traz pela primeira vez a beleza em ter serenidade. A lua crescente mostra-me a força da paciência. A luz crescente irradia lua!
sexta-feira, dezembro 05, 2008
sábado, novembro 29, 2008
Guardados pela Noite
Estamos resguardados e protegidos pela noite em nossa sinceridade e cumplicidade.
É como se nos aconchegássemos dentro da lua cheia e
a mesma tranquilidade e solitude de tantas noites passadas
agora me representa a serenidade e companheirismo por noites afora.
Tardes de domingo eram meus crepúsculos tristes e nostálgicos!
Agora saudosos de quem se faz presente em cada olhar,
em cada toque, em cada carinho, em cada palavra,
em cada silêncio, em cada beijo, em cada abraço, em cada sorriso, em cada pensamento!
Lembranças tão recentes que doem e consolam o peito que pulsa alegre novamente
quando se lembra que dessa vez o fim de tarde é tão breve quanto o tempo pra que eu esteja perto de você novamente!
Te quero! Quero te querer cada vez mais.
Quero ser merecedora dessa oportunidade
linda como o amanhecer diário.
escrito em 31/julho/2008
É como se nos aconchegássemos dentro da lua cheia e
a mesma tranquilidade e solitude de tantas noites passadas
agora me representa a serenidade e companheirismo por noites afora.
Tardes de domingo eram meus crepúsculos tristes e nostálgicos!
Agora saudosos de quem se faz presente em cada olhar,
em cada toque, em cada carinho, em cada palavra,
em cada silêncio, em cada beijo, em cada abraço, em cada sorriso, em cada pensamento!
Lembranças tão recentes que doem e consolam o peito que pulsa alegre novamente
quando se lembra que dessa vez o fim de tarde é tão breve quanto o tempo pra que eu esteja perto de você novamente!
Te quero! Quero te querer cada vez mais.
Quero ser merecedora dessa oportunidade
linda como o amanhecer diário.
escrito em 31/julho/2008
terça-feira, novembro 25, 2008
Ensinamento
"Não importa a velocidade, o que importa é o rumo."
por Sérgio Faria - inspetor aposentado do Banco Central e ajudante de geólogo sobre a expedição feita a São Félix do Xingú no interior de Mato Grosso, partindo de Brasília e passando por Goiás. Uma jornada de 1600km feita em 1958 para marcação do Centro Geográfico do Brasil e, em 2008, 50 anos depois para relembrar. Sérgio retornou ao local mesmo com câncer e auxílio de muletas.
por Sérgio Faria - inspetor aposentado do Banco Central e ajudante de geólogo sobre a expedição feita a São Félix do Xingú no interior de Mato Grosso, partindo de Brasília e passando por Goiás. Uma jornada de 1600km feita em 1958 para marcação do Centro Geográfico do Brasil e, em 2008, 50 anos depois para relembrar. Sérgio retornou ao local mesmo com câncer e auxílio de muletas.
segunda-feira, novembro 17, 2008
Mapa Tempo
O tempo amanheceu fechado!
Combina c'alma triste e dolorida.
Carregada de lembranças, consigo assimilar como pode ser vazia a referência temporal.
Engasgada e remoída, só e ainda em pé!
O vazio é tamanho que me parece não haver mais nada a ser dito.
Resta apenas a esperança relutante. Resta a palpitação em cada espaço do corpo.
Um tremor que assusta e valida a tristeza!
Combina c'alma triste e dolorida.
Carregada de lembranças, consigo assimilar como pode ser vazia a referência temporal.
Engasgada e remoída, só e ainda em pé!
O vazio é tamanho que me parece não haver mais nada a ser dito.
Resta apenas a esperança relutante. Resta a palpitação em cada espaço do corpo.
Um tremor que assusta e valida a tristeza!
terça-feira, outubro 14, 2008
Fresta
À procura da fresta que permita a luz entrar!
Ansiosa na busca pela serenidade e tranqüilidade.
Caminhos confusos. Angústia.
Lateja o peito em dor.
Se não há justificativas, compreende a ausência e supera.
Ansiosa na busca pela serenidade e tranqüilidade.
Caminhos confusos. Angústia.
Lateja o peito em dor.
Se não há justificativas, compreende a ausência e supera.
(nem sempre. Tantas vezes não!)
Distante daqueles que ama, no desespero pela reaproximação diária!
Ofuscam os olhos, as tentativas frustradas.
Ocorre às mãos a desistência. Sentimento covarde. Luta. Segue.
Choro engasgado. Persiste as vontades e o desejo de “vitoriar”.
Se quem te faz parte parece longe, assusta.
Se quem esteve mais próximo parece desapegado, entristece.
Fazer parte em mão dupla – crescimento.
Além do gelo debaixo dos pés, além da inércia e da frieza.
Derrete, quando a luz encontrar caminho exato pela fresta!
Distante daqueles que ama, no desespero pela reaproximação diária!
Ofuscam os olhos, as tentativas frustradas.
Ocorre às mãos a desistência. Sentimento covarde. Luta. Segue.
Choro engasgado. Persiste as vontades e o desejo de “vitoriar”.
Se quem te faz parte parece longe, assusta.
Se quem esteve mais próximo parece desapegado, entristece.
Fazer parte em mão dupla – crescimento.
Além do gelo debaixo dos pés, além da inércia e da frieza.
Derrete, quando a luz encontrar caminho exato pela fresta!
sexta-feira, setembro 19, 2008
Diálogo!
Tem momentos dentro de nós que a solidão desencorpa e se compreender pelo outro pode fazer a diferença. Em vezes de diálogo, a vida toma perspectivas surpreendentes!
"Sono Profundo"
– Ver o demônio. É isso que meu nome significa. – dizia Diogo, enquanto ajeitava-se na cadeira do boteco.
Noite de abril, cervejas e vários amigos. Muitos rindo, e ele também. No silêncio das palavras fúteis, ele a via de perfil a fita-lo. Mais um gole, outro cigarro e muitas risadas jogadas fora.
– Desce mais uma, Goiano! – gritou um dos companheiros de farra, enquanto os demais riam.
Outra semana se passou até que este momento se deu. Trabalho e casa mal arrumada, coisa de quem já não se importa com o que não importa. Ônibus lotado, acidente, assalto: muitas pessoas andando causam confusão nos que estão parados.
– Assusta né?
– Como!? – perguntou Diogo estupefato, pego de surpresa enquanto viajava em pensamentos.
– Assusta a idéia de que vamos todos envelhecer, né? – disse a garota que estava a flertar discaradamente com ele.
– É.
A velhice veio, e derrubou tanta gente que ainda não descobri onde é o chão. Caindo se descobre a verdadeira farsa. Tapetes. Tapetes imaginários.
A vontade de ir embora assusta tanto quanto atrai. Quero sair e ver o que não tenho, e o que as pessoas não querem ter. Independência não é sinal de felicidade, mas que alivia a barra isso tenho que concordar.
O Estresse dos momentos não vividos sobrepõe qualquer esperança. Talvez pra eles seja assim, simples. Mas não é. Eu já compliquei tanto a minha vida, que não consigo desfazer os nós que me prendem a mim mesmo. E eu não gosto disso. Não mesmo.
– Não gosta do quê Diogo? Tá bêbado?
– Hehehehe... nada não... tô só perdido em pensamentos.
A garota desistiu do flerte. Acho que meu ânimo funesto não a deixou muito feliz.
– Tchau pessoal, preciso ir. Té mais!
– Tchau!
– Até mais!
– Falô!
Respostas e respostas seguem-se em despedida alegre entre amigos, que em verdade são mais colegas de copo que verdadeiros comparsas.
Andando. O movimento constante simboliza a não estaticidade da minha mente. Pena que tudo seja tão irreal, surreal a ponto de me dar ânsias. E não é a cerveja, tenho certeza.
Pé ante pé. Pernas doendo em olhos cansados. Um sorriso perdido na solidão do centro morto da cidade. São duas da madrugada, entre putas e bêbados não sei bem onde me enquadro: Vendendo minha mão de obra em um emprego indecente, ou bebendo meu salário com pessoas hipócritas.
– Café.
O que traria maior satisfação que a sustentação de mais um vício?
– Cigarros.
A sutentação de outro vício.
Carros digladiam-se nas ruas, e tenho pena das mães que esperam os filhos chegarem inteiros. Se dirigir não beba. Mas se beber e dirigir, por favor acerte um poste. Se possível no canteiro central, pra dar prejuízo somente para a prefeitura.
Olho o céu.
– Sem lua de novo.
Até a lua se recusa à minha presença.
– Você sabe que está certa. Há dor.
Meneio a cabeça, e repito o ato que há muito se mantém presente nas vidas dos desapontados. Caminho de mãos atadas, unidas por dedos que já não respondem a todos os impulsos de vontade. Braços para trás, cabeça voltada ao chão.
– Quem sabe encontro algumas moedas, ou pelo menos algo pra ler.
Se você não encontrou nada, imagine eu. Devo dizer neste momento ao leitor que por muito tempo acreditei na possibilidade inváriavel de que alguém sempre encontra as coisas que os demais perdem. Com certeza totalmente absoluta, não sou eu.
A rua se extende em uma floresta de luzes amarelas e avermelhadas, que só não me deixam ofuscado porque já o estava antes de elas resolverem aparecer para fazer compania. Acho que nem mesmo os moradores dos arredores, se é que mora alguém por aqui, conseguem me olhar com plena certeza. Há tanta dúvida no ar, tanto arrependimento nas rugas da minha testa, que devo dar medo. O mesmo medo que sinto.
Ponte. Faltam pontes entre pessoas, principalmente aquelas que tem o ego tão grande que não conseguem admitir o que sentem.
– Olha eu dando uma de hipócrita.
Paro um pouco para ver o rio e respiro fundo. Fezes.
Em meio às nuvens a melancolia grita, e a lua se mostra triste e tênue como a lâmina de um machado. Singela e ingênua como o estuprador que se diverte em maltratar crianças. Está vermelha. Deve ter chorado muito.
Agora o rio está manchado de sangue. Curioso... não esperava encontrar alguém tão reconfortante em algo tão sincero. Um rio morto manchado de sangue. Chega a ser patético.
Desisto de andar e espero. Quem sabe os céus tomam alguma providência, e me mandam um chofer com asas de fogo. Quem sabe ele não me carrega até em casa, me paga um lanche e faz um café bem forte. Depois ele vai embora com aquele monte de luzes brancas, e eu acordo. Quem sabe.
– Hora da resistência.
Levanto. Ando. Força de vontade eu tenho, mas falta saúde para terminar os quilômetros que falta até em casa.
– E para a alegria da torcida, adivinhem quem veio para o jantar? Uma bela de uma subida!
Ladeira acima vai o vento, e carrega o humor que me restava. Isso considerando que ainda havia algum.
Uma lanchonete. Carros, música. Tanta gente se divertindo. Tanto gado pastando. Produto de engorda para empresas que sustentam o ser medíocre. Humano. Um ano a mais , ou a menos, não fará diferença.
Sento, e peço um sanduíche que só daqui uns 30 anos vou reclamar por ter comido. Senão, reclamarei da cerveja. Ou do cigarro. Ou de todos.
– Faz mais um, por favor.
Fome mata.
– ... e uma cerveja.
Chego em casa sem sono. Odeio estar cansado e com insônia, principalmente quando não tenho absolutamente nada para enforcar o tempo. Bem que o tempo poderia ser mais novo, quem sabe assim ele não tentava suicídio.
Tomo um banho quente, escovo os dentes.
O reencontro é inevitável. Olho para ele nos olhos, respiro fundo e cuspo. Enxáguo a boca, enquanto ele repete meus movimentos precisamente. Não tenho mais coragem para encará-lo.
Apago a luz sabendo que ele continua lá me esperando.
– Noite boa para um assassinato.
A casa morta retorna ao repouso. O ser ilustre que ali se abriga não aguarda muito para o confronto final.
Deito-me sabendo que será difícil dormir.
Duas horas depois levanto-me, cansado de ouvir meu travesseiro resmungar respostas que eu não queria ouvir. Não aqui, não agora. Não nessa vida.
Tomo água, sabendo que engolir meus problemas pode causar uma bela de uma úlcera.
Subo as escadas correndo e entro no banheiro. Sem pensar duas vezes, dou um soco no espelho. Ele se quebra, óbvio.
Afoito, respiro fundo até recobrar o controle.
Pego uma pá e uma sacola e limpo os cacos enquanto ele me olha, de vários ângulos diferentes. É trágico para não ser fatal. O desesperado se entrega, tal qual ovelha que não vê o lobo e pula dentro da boca. Duas dentadas, e uma vida inteira para se arrepender.
Em dois minutos termino a limpeza.
Deito-me novamente, e agora o travesseiro grita. Consciência maldita que atormenta logo na hora de dormir.
– Troca de canal, fazendo favor?
Fico parado olhando pro teto e lembrando do meu medo. Meu medo. Talvez a única coisa que eu realmente tenha certeza de que é minha. Medo.
– De mim.
Tantas pessoas julgam, tantos respondem. Teorias vagas para preencher a lacuna de assunto que falta para beber outra cerveja, ou quem sabe impressionar aquela garota bonita que fica me olhando... ou apenas palavras ditas para evidenciar a ignorância pessoal. Tantos perguntam, outros se escondem. Mas quando olham no espelho, sequer têm coragem de encarar seus próprios olhos. Quem dirá dos outros.
– Hipócritas.
O sono vem silenciar minha mente, e me perco de novo.
Amanhã é outro dia.
Não estou feliz com isso.
(Ankh - 08-05-2003)
"Dialogo"
Dialogo:
Pode ser complicado tentar dizer algo e se esbarrar entre o autor e o personagem. Talvez porque o autor encanta mesmo que escondido entre os cacos estilhaçados pelo chão. Talvez porque o personagem revela os segredos que o autor tenta esconder. Talvez porque o tempo, efêmero, passou algumas horas e anos, e continua ainda! Talvez porque the music still on and(o)n and(o)n. Porque as coisas são como são e não lhe permitem parar para compreendê-las, mesmo diante do desespero e necessidade.
O que assusta é que o dia de amanhã pode ser tão tenebroso quanto o de hoje e as mesmas coisas de sempre podem acontecer exatamente como são. E de repente, buscar pode não ser uma opção, encontrar pode não ser um mérito seu. There was a day that when I woke up everything was paralised. Às vezes o movimento é petrificado diante de tantas incertezas. Às vezes você se cansa e nesses dias, a noite - companheira fiel - demora a chegar. Há dor e só a lua te compreende verdadeiramente.
Aquela garota tem outra sintonia. Fica difícil concentrar em sorrisos e olhares quando tem algo que te bloqueia e entristece por dentro. Fica difícil se permitir o outro quando não se encontra só. Fica difícil se encontrar sem saber onde se perdeu. Fica difícil interessar em mundos diferentes e irreais (ou hipócritas) (ou fúteis) (ou superficiais) ... desencontros. Há quem, uma hora qualquer, se esbarra em você na mesma percepção dos arredores. Demora. Demora tanto que às vezes que você se acostuma à solidão.
Perdido entre tantos gritos. Ensurdecedor o silêncio. Anestesiante o sono. Latejantes os desejos desconhecidos. Irritantes as horas de confissão ao travesseiro. Os olhos ardem, quase choram e ninguém responde pelos seus anseios. Encarar-se dói de novo. Talvez o medo de reconhecer-se nas fraquezas. Talvez a falta de motivação. Talvez horas desperdiçadas. Talvez a falta de ar e a agonia eminentes. Talvez o medo de entregar-se e ser tudo outra vez. Talvez a sensibilidade à flor da pele que te enobrece e expõe.
Parte do que nos afasta. Parte do que nos une. Seres humanos. Humanos? Eis que ignorar o outro é tão cômodo quanto nos ignoram. Eis que encontrar nossas confusões é o único alívio imediato. Como se nos delegassem o direito de existir. Recatados, recolhidos, remediados, repreendidos, verdadeiros. Expansivos, escancarados, mentirosos. Nem sempre os sorrisos trazem a alegria. Máscaras que nos pedem os momentos. Realidades que fantasiamos para chegar ao dia de amanhã.
O dia de amanhã pode ser tudo de novo. O dia de amanhã pode repetir ou quem sabe eu consiga resetar. Reinicio. Não. Espera trinta segundos e por segurança mais trinta. Daí você religa e espera. Começou errado? Já começa esperando de novo, esperando que dê certo. Esperando que aconteça. Correndo atrás de qualquer coisa. Talvez nem precisasse recomeçar. Apenas continuar de verdade. O dia de hoje não vai se apagar, o back up me assegura.
I was terrified and I cried. And my tears brought colors to the black and white. And maybe not the right ones. But who’s gonna be the one to tell me what colors shall these be. Let them be. Just it. As coisas são do jeito que são. Escolha-as umas às outras. Talvez o dia de amanhã não me amedronte tanto se afogo o medo junto com meus soluços. Talvez o dia de amanhã traga-me algo além. Talvez eu encontre sentido. Talvez a lua me reencontre no próximo mês. Os anos trazem as pequenas mudanças.
(Thais – 11 julho 2008)
"Sono Profundo"
– Ver o demônio. É isso que meu nome significa. – dizia Diogo, enquanto ajeitava-se na cadeira do boteco.
Noite de abril, cervejas e vários amigos. Muitos rindo, e ele também. No silêncio das palavras fúteis, ele a via de perfil a fita-lo. Mais um gole, outro cigarro e muitas risadas jogadas fora.
– Desce mais uma, Goiano! – gritou um dos companheiros de farra, enquanto os demais riam.
Outra semana se passou até que este momento se deu. Trabalho e casa mal arrumada, coisa de quem já não se importa com o que não importa. Ônibus lotado, acidente, assalto: muitas pessoas andando causam confusão nos que estão parados.
– Assusta né?
– Como!? – perguntou Diogo estupefato, pego de surpresa enquanto viajava em pensamentos.
– Assusta a idéia de que vamos todos envelhecer, né? – disse a garota que estava a flertar discaradamente com ele.
– É.
A velhice veio, e derrubou tanta gente que ainda não descobri onde é o chão. Caindo se descobre a verdadeira farsa. Tapetes. Tapetes imaginários.
A vontade de ir embora assusta tanto quanto atrai. Quero sair e ver o que não tenho, e o que as pessoas não querem ter. Independência não é sinal de felicidade, mas que alivia a barra isso tenho que concordar.
O Estresse dos momentos não vividos sobrepõe qualquer esperança. Talvez pra eles seja assim, simples. Mas não é. Eu já compliquei tanto a minha vida, que não consigo desfazer os nós que me prendem a mim mesmo. E eu não gosto disso. Não mesmo.
– Não gosta do quê Diogo? Tá bêbado?
– Hehehehe... nada não... tô só perdido em pensamentos.
A garota desistiu do flerte. Acho que meu ânimo funesto não a deixou muito feliz.
– Tchau pessoal, preciso ir. Té mais!
– Tchau!
– Até mais!
– Falô!
Respostas e respostas seguem-se em despedida alegre entre amigos, que em verdade são mais colegas de copo que verdadeiros comparsas.
Andando. O movimento constante simboliza a não estaticidade da minha mente. Pena que tudo seja tão irreal, surreal a ponto de me dar ânsias. E não é a cerveja, tenho certeza.
Pé ante pé. Pernas doendo em olhos cansados. Um sorriso perdido na solidão do centro morto da cidade. São duas da madrugada, entre putas e bêbados não sei bem onde me enquadro: Vendendo minha mão de obra em um emprego indecente, ou bebendo meu salário com pessoas hipócritas.
– Café.
O que traria maior satisfação que a sustentação de mais um vício?
– Cigarros.
A sutentação de outro vício.
Carros digladiam-se nas ruas, e tenho pena das mães que esperam os filhos chegarem inteiros. Se dirigir não beba. Mas se beber e dirigir, por favor acerte um poste. Se possível no canteiro central, pra dar prejuízo somente para a prefeitura.
Olho o céu.
– Sem lua de novo.
Até a lua se recusa à minha presença.
– Você sabe que está certa. Há dor.
Meneio a cabeça, e repito o ato que há muito se mantém presente nas vidas dos desapontados. Caminho de mãos atadas, unidas por dedos que já não respondem a todos os impulsos de vontade. Braços para trás, cabeça voltada ao chão.
– Quem sabe encontro algumas moedas, ou pelo menos algo pra ler.
Se você não encontrou nada, imagine eu. Devo dizer neste momento ao leitor que por muito tempo acreditei na possibilidade inváriavel de que alguém sempre encontra as coisas que os demais perdem. Com certeza totalmente absoluta, não sou eu.
A rua se extende em uma floresta de luzes amarelas e avermelhadas, que só não me deixam ofuscado porque já o estava antes de elas resolverem aparecer para fazer compania. Acho que nem mesmo os moradores dos arredores, se é que mora alguém por aqui, conseguem me olhar com plena certeza. Há tanta dúvida no ar, tanto arrependimento nas rugas da minha testa, que devo dar medo. O mesmo medo que sinto.
Ponte. Faltam pontes entre pessoas, principalmente aquelas que tem o ego tão grande que não conseguem admitir o que sentem.
– Olha eu dando uma de hipócrita.
Paro um pouco para ver o rio e respiro fundo. Fezes.
Em meio às nuvens a melancolia grita, e a lua se mostra triste e tênue como a lâmina de um machado. Singela e ingênua como o estuprador que se diverte em maltratar crianças. Está vermelha. Deve ter chorado muito.
Agora o rio está manchado de sangue. Curioso... não esperava encontrar alguém tão reconfortante em algo tão sincero. Um rio morto manchado de sangue. Chega a ser patético.
Desisto de andar e espero. Quem sabe os céus tomam alguma providência, e me mandam um chofer com asas de fogo. Quem sabe ele não me carrega até em casa, me paga um lanche e faz um café bem forte. Depois ele vai embora com aquele monte de luzes brancas, e eu acordo. Quem sabe.
– Hora da resistência.
Levanto. Ando. Força de vontade eu tenho, mas falta saúde para terminar os quilômetros que falta até em casa.
– E para a alegria da torcida, adivinhem quem veio para o jantar? Uma bela de uma subida!
Ladeira acima vai o vento, e carrega o humor que me restava. Isso considerando que ainda havia algum.
Uma lanchonete. Carros, música. Tanta gente se divertindo. Tanto gado pastando. Produto de engorda para empresas que sustentam o ser medíocre. Humano. Um ano a mais , ou a menos, não fará diferença.
Sento, e peço um sanduíche que só daqui uns 30 anos vou reclamar por ter comido. Senão, reclamarei da cerveja. Ou do cigarro. Ou de todos.
– Faz mais um, por favor.
Fome mata.
– ... e uma cerveja.
Chego em casa sem sono. Odeio estar cansado e com insônia, principalmente quando não tenho absolutamente nada para enforcar o tempo. Bem que o tempo poderia ser mais novo, quem sabe assim ele não tentava suicídio.
Tomo um banho quente, escovo os dentes.
O reencontro é inevitável. Olho para ele nos olhos, respiro fundo e cuspo. Enxáguo a boca, enquanto ele repete meus movimentos precisamente. Não tenho mais coragem para encará-lo.
Apago a luz sabendo que ele continua lá me esperando.
– Noite boa para um assassinato.
A casa morta retorna ao repouso. O ser ilustre que ali se abriga não aguarda muito para o confronto final.
Deito-me sabendo que será difícil dormir.
Duas horas depois levanto-me, cansado de ouvir meu travesseiro resmungar respostas que eu não queria ouvir. Não aqui, não agora. Não nessa vida.
Tomo água, sabendo que engolir meus problemas pode causar uma bela de uma úlcera.
Subo as escadas correndo e entro no banheiro. Sem pensar duas vezes, dou um soco no espelho. Ele se quebra, óbvio.
Afoito, respiro fundo até recobrar o controle.
Pego uma pá e uma sacola e limpo os cacos enquanto ele me olha, de vários ângulos diferentes. É trágico para não ser fatal. O desesperado se entrega, tal qual ovelha que não vê o lobo e pula dentro da boca. Duas dentadas, e uma vida inteira para se arrepender.
Em dois minutos termino a limpeza.
Deito-me novamente, e agora o travesseiro grita. Consciência maldita que atormenta logo na hora de dormir.
– Troca de canal, fazendo favor?
Fico parado olhando pro teto e lembrando do meu medo. Meu medo. Talvez a única coisa que eu realmente tenha certeza de que é minha. Medo.
– De mim.
Tantas pessoas julgam, tantos respondem. Teorias vagas para preencher a lacuna de assunto que falta para beber outra cerveja, ou quem sabe impressionar aquela garota bonita que fica me olhando... ou apenas palavras ditas para evidenciar a ignorância pessoal. Tantos perguntam, outros se escondem. Mas quando olham no espelho, sequer têm coragem de encarar seus próprios olhos. Quem dirá dos outros.
– Hipócritas.
O sono vem silenciar minha mente, e me perco de novo.
Amanhã é outro dia.
Não estou feliz com isso.
(Ankh - 08-05-2003)
"Dialogo"
Dialogo:
Pode ser complicado tentar dizer algo e se esbarrar entre o autor e o personagem. Talvez porque o autor encanta mesmo que escondido entre os cacos estilhaçados pelo chão. Talvez porque o personagem revela os segredos que o autor tenta esconder. Talvez porque o tempo, efêmero, passou algumas horas e anos, e continua ainda! Talvez porque the music still on and(o)n and(o)n. Porque as coisas são como são e não lhe permitem parar para compreendê-las, mesmo diante do desespero e necessidade.
O que assusta é que o dia de amanhã pode ser tão tenebroso quanto o de hoje e as mesmas coisas de sempre podem acontecer exatamente como são. E de repente, buscar pode não ser uma opção, encontrar pode não ser um mérito seu. There was a day that when I woke up everything was paralised. Às vezes o movimento é petrificado diante de tantas incertezas. Às vezes você se cansa e nesses dias, a noite - companheira fiel - demora a chegar. Há dor e só a lua te compreende verdadeiramente.
Aquela garota tem outra sintonia. Fica difícil concentrar em sorrisos e olhares quando tem algo que te bloqueia e entristece por dentro. Fica difícil se permitir o outro quando não se encontra só. Fica difícil se encontrar sem saber onde se perdeu. Fica difícil interessar em mundos diferentes e irreais (ou hipócritas) (ou fúteis) (ou superficiais) ... desencontros. Há quem, uma hora qualquer, se esbarra em você na mesma percepção dos arredores. Demora. Demora tanto que às vezes que você se acostuma à solidão.
Perdido entre tantos gritos. Ensurdecedor o silêncio. Anestesiante o sono. Latejantes os desejos desconhecidos. Irritantes as horas de confissão ao travesseiro. Os olhos ardem, quase choram e ninguém responde pelos seus anseios. Encarar-se dói de novo. Talvez o medo de reconhecer-se nas fraquezas. Talvez a falta de motivação. Talvez horas desperdiçadas. Talvez a falta de ar e a agonia eminentes. Talvez o medo de entregar-se e ser tudo outra vez. Talvez a sensibilidade à flor da pele que te enobrece e expõe.
Parte do que nos afasta. Parte do que nos une. Seres humanos. Humanos? Eis que ignorar o outro é tão cômodo quanto nos ignoram. Eis que encontrar nossas confusões é o único alívio imediato. Como se nos delegassem o direito de existir. Recatados, recolhidos, remediados, repreendidos, verdadeiros. Expansivos, escancarados, mentirosos. Nem sempre os sorrisos trazem a alegria. Máscaras que nos pedem os momentos. Realidades que fantasiamos para chegar ao dia de amanhã.
O dia de amanhã pode ser tudo de novo. O dia de amanhã pode repetir ou quem sabe eu consiga resetar. Reinicio. Não. Espera trinta segundos e por segurança mais trinta. Daí você religa e espera. Começou errado? Já começa esperando de novo, esperando que dê certo. Esperando que aconteça. Correndo atrás de qualquer coisa. Talvez nem precisasse recomeçar. Apenas continuar de verdade. O dia de hoje não vai se apagar, o back up me assegura.
I was terrified and I cried. And my tears brought colors to the black and white. And maybe not the right ones. But who’s gonna be the one to tell me what colors shall these be. Let them be. Just it. As coisas são do jeito que são. Escolha-as umas às outras. Talvez o dia de amanhã não me amedronte tanto se afogo o medo junto com meus soluços. Talvez o dia de amanhã traga-me algo além. Talvez eu encontre sentido. Talvez a lua me reencontre no próximo mês. Os anos trazem as pequenas mudanças.
(Thais – 11 julho 2008)
segunda-feira, abril 14, 2008
Desejos contidos, vontades persistentes
É isso que faz com que os nossos olhares se cruzem no meio de tanta gente
É isso que nos chama a atenção mesmo diante de tantas pressões
Isso que faz sentir cheiro de terra molhada dentro de mim,
Mesmo sabendo que ela pode secar e as rachaduras doem ao se partir
É isso que me traz pensamentos alegres e me faz sorrir
É o que me traz tranqüilidade e ansiedade
É o que me dá a sensação pulsante e explosiva
É isso que me traz sentimento de felicidade e prazer e
Me faz sentir tão culpada e insegura
É isso que instantaneamente me traz o oposto
e por segundos me deixa assim...
segundos colados um no outro de pensamento em você!
É isso que me faz querer mesmo sem dever
É isso que me tira o dever e traz insanidade
É isso que briga dentro de mim entre razão e emoção e ,
De repente,
Sai correndo em busca de muros e outros barrancos para se esconder
Mas desmorona, volta atrás e não quer abrir mão de se sentir bem!
É isso que sinto. Desde quando não sei...
Vontade que se acumula, desejos contidos e persistentes!
É isso que nos chama a atenção mesmo diante de tantas pressões
Isso que faz sentir cheiro de terra molhada dentro de mim,
Mesmo sabendo que ela pode secar e as rachaduras doem ao se partir
É isso que me traz pensamentos alegres e me faz sorrir
É o que me traz tranqüilidade e ansiedade
É o que me dá a sensação pulsante e explosiva
É isso que me traz sentimento de felicidade e prazer e
Me faz sentir tão culpada e insegura
É isso que instantaneamente me traz o oposto
e por segundos me deixa assim...
segundos colados um no outro de pensamento em você!
É isso que me faz querer mesmo sem dever
É isso que me tira o dever e traz insanidade
É isso que briga dentro de mim entre razão e emoção e ,
De repente,
Sai correndo em busca de muros e outros barrancos para se esconder
Mas desmorona, volta atrás e não quer abrir mão de se sentir bem!
É isso que sinto. Desde quando não sei...
Vontade que se acumula, desejos contidos e persistentes!
terça-feira, abril 08, 2008
Enquanto te espero!
Você que quanto mais perto é tão distante...
Tão longe é sempre mais próximo...
Perto dos meus sentimentos,
Das minhas verdades ou talvez ilusões.
Pensamentos e peles...
Pele só e pensamentos tumultuados
Fogosos
Você aqui dentro nas horas em que me deito
Tão distante
Tem me feito companhia...
Me tens culpada e ainda assim ávida
Você,
espero sempre por mais tempo
E no passar das horas,
Acalenta – me o sono e o cansaço
E quem sabe, traga-te pra perto de mim
Ao menos nas madrugadas adentro,
Onde meus desejos podem se fazer verdade
Desprotegidas vontades
Despretensiosos sentimentos
Toques suaves
Olhares intensos (e quase assustados)
Livres de qualquer vigia...
Apenas dentro de mim
Onde no momento ninguém mais tem permissão pra entrar;
Só você!
Tão longe é sempre mais próximo...
Perto dos meus sentimentos,
Das minhas verdades ou talvez ilusões.
Pensamentos e peles...
Pele só e pensamentos tumultuados
Fogosos
Você aqui dentro nas horas em que me deito
Tão distante
Tem me feito companhia...
Me tens culpada e ainda assim ávida
Você,
espero sempre por mais tempo
E no passar das horas,
Acalenta – me o sono e o cansaço
E quem sabe, traga-te pra perto de mim
Ao menos nas madrugadas adentro,
Onde meus desejos podem se fazer verdade
Desprotegidas vontades
Despretensiosos sentimentos
Toques suaves
Olhares intensos (e quase assustados)
Livres de qualquer vigia...
Apenas dentro de mim
Onde no momento ninguém mais tem permissão pra entrar;
Só você!
segunda-feira, novembro 19, 2007
Ele morreu.
Um turista italiano foi atropelado em uma rua do Rio de Janeiro enquanto tentava resgatar um cordão de ouro roubado de seu pai por um brasileiro. Profissão: ladrão. Talvez seja isso que tanto brasileiro saiba fazer de melhor. Na orla carioca (ou outra qualquer) os pequenos roubam os desatentos ou turistas, corajosos em ainda visitar o país. Em Brasília, os grandes roubam com foro privilegiado. Julgados por quebra de decoro são liberados e tantas vezes o povo nem se lembra do que aconteceu.
Esqueceram de avisar ao turista italiano (ou qualquer outro) que “aqui no Brasil, se você é assaltado, não reaja. Pode ser pior pra você.” O brasileiro já cresce sabendo que é melhor perder um pedaço de ouro, uma carteira, os cartões de crédito, um “pucado” de dinheiro, o carro ... depois vale até perder os documentos, parte da identidade e algo da sua dignidade como ser humano que tem o direito de ir e vir garantido pela constituição (só pela constituição). Vale perder tudo isso pela chance de ter resguardada a vida, ainda que atormentado.
Hoje a Itália deixou de guardar mágoas apenas no futebol. De volta, a família leva consigo o corpo de um filho, um irmão, o corpo de alguém que acreditava que podia fazer justiça com as próprias mãos. Ninguém avisou pra ele que aqui no Brasil, nem sempre a justiça dos homens é presente. Ninguém avisou que prevalece a esperança pela justiça de Deus, por uma apatia (ou talvez bom senso) do brasileiro que se entristece, mas nem sempre pode fazer muita coisa, porque o exemplo vem de cima. Justiça?
E pra surpresa do brasileiro, hoje nunca se viu tanto interesse policial em apurar as causas de um atropelamento. Qual é (ou seria) o brasileiro, vítima fatal de um atropelamento, que já mereceu os cuidados de uma investigação que avalie se o ônibus estava na velocidade adequada para a pista, ou ainda que retire as impressões digitais da bicicleta de um ladrão pelas chances de compará-las com as de algum suspeito preso? O cuidado que dispensaram na segurança das ruas do Rio de Janeiro (ele continua lindo!).
Mas ele não era brasileiro, ele era italiano. Talvez essa seja a forma de um país inteiro tentar se redimir por não ter avisado do “risco Brasil” ao turista que veio em busca de tranqüilidade e diversão com a família. Diga-se de passagem, com uma boa grana para colaborar no orçamento brasileiro. Esqueceram de avisar que vale mais a pena investir de longe. A economia vai bem, o risco Brasil desce. Só esqueceram de investir no povo e na educação que poderia ter evitado o começo de toda essa história.
Ele morreu. Como diria Shakeaspare, ele simplesmente morreu. Agora a família de qualquer turista que tenha vindo ao Brasil, ou a família de qualquer brasileiro que poderia estar debaixo do ônibus, volta pra casa com os filhos embalados por Nosso Senhor do Bonfim. É, tem hora que passa mesmo a sensação de que é melhor entregar pra Nosso Senhor do Bonfim e todos os Santos piedosos do Brasil. Enquanto isso, investimentos milhonários em um “novo Brasil” para receber a Copa do Mundo.
Investimos toda nossa força e trabalho para colorir o Brasil por fora. Atraímos os outros turistas, aqueles que continuam corajosos. Bom, na verdade até 2014 há muito tempo pra esquecer. Haverá muita coisa pra ser esquecida e ignorada, mas a gente chega lá. Enquanto por dentro, a gente perece, veste luto e tenta achar culpados pra crianças deseducadas, pra fome que te cala, pra adulto perdido, pra falta de segurança, pra político que se esquece do que prometeu... para aquele que rouba cordão de ouro na Orla Carioca.
Avante Brasil! È esse o país que vai sediar a Copa do Mundo 2014. Quantos não serão os quilos de ouro roubados, carteiras furtadas, máquinas fotográficas, filmadoras, celulares, ipods, eletrônicos quantos mais serão inventados até lá. Quantas não serão as identidades, os filhos, os amigos e as vidas roubadas. Quantos não são os números idealizados e outros tantos omitidos na violência pública para que sejamos o tão esperado país da Copa do Mundo. Afinal de contas, justifica tudo se somos o povo do futebol!
Quem sabe a imagem levada embora do Brasil não seja tão ruim. Afinal, a família daquele italiano terá a boa impressão de que as investigações brasileiras são levadas a sério. Ou, se nem isso funcionar, ainda há como evitar que o pior se repita na Copa do Mundo! Podemos fazer campanhas publicitárias ensinando o turista como se portar no Brasil e, principalmente, como reagir em situações de roubo! Afinal de contas, o brasileiro (pra não parecer preconceituosa em dizer “o carioca”) é esxperto. Ele vai saber desviar de ônibus!
Esqueceram de avisar ao turista italiano (ou qualquer outro) que “aqui no Brasil, se você é assaltado, não reaja. Pode ser pior pra você.” O brasileiro já cresce sabendo que é melhor perder um pedaço de ouro, uma carteira, os cartões de crédito, um “pucado” de dinheiro, o carro ... depois vale até perder os documentos, parte da identidade e algo da sua dignidade como ser humano que tem o direito de ir e vir garantido pela constituição (só pela constituição). Vale perder tudo isso pela chance de ter resguardada a vida, ainda que atormentado.
Hoje a Itália deixou de guardar mágoas apenas no futebol. De volta, a família leva consigo o corpo de um filho, um irmão, o corpo de alguém que acreditava que podia fazer justiça com as próprias mãos. Ninguém avisou pra ele que aqui no Brasil, nem sempre a justiça dos homens é presente. Ninguém avisou que prevalece a esperança pela justiça de Deus, por uma apatia (ou talvez bom senso) do brasileiro que se entristece, mas nem sempre pode fazer muita coisa, porque o exemplo vem de cima. Justiça?
E pra surpresa do brasileiro, hoje nunca se viu tanto interesse policial em apurar as causas de um atropelamento. Qual é (ou seria) o brasileiro, vítima fatal de um atropelamento, que já mereceu os cuidados de uma investigação que avalie se o ônibus estava na velocidade adequada para a pista, ou ainda que retire as impressões digitais da bicicleta de um ladrão pelas chances de compará-las com as de algum suspeito preso? O cuidado que dispensaram na segurança das ruas do Rio de Janeiro (ele continua lindo!).
Mas ele não era brasileiro, ele era italiano. Talvez essa seja a forma de um país inteiro tentar se redimir por não ter avisado do “risco Brasil” ao turista que veio em busca de tranqüilidade e diversão com a família. Diga-se de passagem, com uma boa grana para colaborar no orçamento brasileiro. Esqueceram de avisar que vale mais a pena investir de longe. A economia vai bem, o risco Brasil desce. Só esqueceram de investir no povo e na educação que poderia ter evitado o começo de toda essa história.
Ele morreu. Como diria Shakeaspare, ele simplesmente morreu. Agora a família de qualquer turista que tenha vindo ao Brasil, ou a família de qualquer brasileiro que poderia estar debaixo do ônibus, volta pra casa com os filhos embalados por Nosso Senhor do Bonfim. É, tem hora que passa mesmo a sensação de que é melhor entregar pra Nosso Senhor do Bonfim e todos os Santos piedosos do Brasil. Enquanto isso, investimentos milhonários em um “novo Brasil” para receber a Copa do Mundo.
Investimos toda nossa força e trabalho para colorir o Brasil por fora. Atraímos os outros turistas, aqueles que continuam corajosos. Bom, na verdade até 2014 há muito tempo pra esquecer. Haverá muita coisa pra ser esquecida e ignorada, mas a gente chega lá. Enquanto por dentro, a gente perece, veste luto e tenta achar culpados pra crianças deseducadas, pra fome que te cala, pra adulto perdido, pra falta de segurança, pra político que se esquece do que prometeu... para aquele que rouba cordão de ouro na Orla Carioca.
Avante Brasil! È esse o país que vai sediar a Copa do Mundo 2014. Quantos não serão os quilos de ouro roubados, carteiras furtadas, máquinas fotográficas, filmadoras, celulares, ipods, eletrônicos quantos mais serão inventados até lá. Quantas não serão as identidades, os filhos, os amigos e as vidas roubadas. Quantos não são os números idealizados e outros tantos omitidos na violência pública para que sejamos o tão esperado país da Copa do Mundo. Afinal de contas, justifica tudo se somos o povo do futebol!
Quem sabe a imagem levada embora do Brasil não seja tão ruim. Afinal, a família daquele italiano terá a boa impressão de que as investigações brasileiras são levadas a sério. Ou, se nem isso funcionar, ainda há como evitar que o pior se repita na Copa do Mundo! Podemos fazer campanhas publicitárias ensinando o turista como se portar no Brasil e, principalmente, como reagir em situações de roubo! Afinal de contas, o brasileiro (pra não parecer preconceituosa em dizer “o carioca”) é esxperto. Ele vai saber desviar de ônibus!
quinta-feira, novembro 15, 2007
!pela internet pode ser tudo diferente!
Pela internet eu posso vestir tudo que eu quiser
Posso ser mulher audaciosa
Posso lembrar e falar de tudo aquilo que eu já fiz
De tudo que eu sobrevivi, de tudo que eu arrependi
Pela internet eu posso me isentar de culpa e
Principalmente eu posso sorrir sem precisar sorrir
Pela internet eu posso livrar o outro de saber que minha expressão é introspectiva
Pela internet o meu silêncio é simplesmente silêncio
Não tristeza
Pela internet eu posso valorizar a vida do outro sem transparecer que eu quero atenção
Pela internet eu posso esconder minha solidão
Pela internet ninguém sabe quanto tempo eu espero
Não preciso sentir vergonha de passar o tempo
só eu mesma sei o tempo que se passa do lado de cá
a minha confusão faz companhia
a minha bagunça é imperceptível
e todo mundo pergunta como você está
com a facilidade de que você nem precisar esforçar os músculos do rosto pra parecer alguma coisa de verdade
pela internet você não vai esperar que ninguém repare que falta brilho no seu olho
(se você não espera, você não se frustra)
pela internet você não precisa se desculpar por não se sentir bem humorado
(se ninguém percebe, ninguém se ofende)
pela internet eu ligo meu msn e visto minha máscara de “agora sou legal”
(se sou legal, ninguém me julga)
pela internet nem sei se alguma coisa faz sentido
(mas não importa se faz, é só internet)
pela internet me livro de precisar assumir como estou
(como se isso pudesse ser mudado de uma hora pra outra)
pela internet me liberto de precisar ser verdadeira com os outros
(eles nem precisam saber disso)
e posso ser verdadeira comigo mesma em não me sentir tão bem assim!
(Quem sabe assim não precise responder porquê.)
Pode ser que os motivos não se justifiquem.
Posso ser mulher audaciosa
Posso lembrar e falar de tudo aquilo que eu já fiz
De tudo que eu sobrevivi, de tudo que eu arrependi
Pela internet eu posso me isentar de culpa e
Principalmente eu posso sorrir sem precisar sorrir
Pela internet eu posso livrar o outro de saber que minha expressão é introspectiva
Pela internet o meu silêncio é simplesmente silêncio
Não tristeza
Pela internet eu posso valorizar a vida do outro sem transparecer que eu quero atenção
Pela internet eu posso esconder minha solidão
Pela internet ninguém sabe quanto tempo eu espero
Não preciso sentir vergonha de passar o tempo
só eu mesma sei o tempo que se passa do lado de cá
a minha confusão faz companhia
a minha bagunça é imperceptível
e todo mundo pergunta como você está
com a facilidade de que você nem precisar esforçar os músculos do rosto pra parecer alguma coisa de verdade
pela internet você não vai esperar que ninguém repare que falta brilho no seu olho
(se você não espera, você não se frustra)
pela internet você não precisa se desculpar por não se sentir bem humorado
(se ninguém percebe, ninguém se ofende)
pela internet eu ligo meu msn e visto minha máscara de “agora sou legal”
(se sou legal, ninguém me julga)
pela internet nem sei se alguma coisa faz sentido
(mas não importa se faz, é só internet)
pela internet me livro de precisar assumir como estou
(como se isso pudesse ser mudado de uma hora pra outra)
pela internet me liberto de precisar ser verdadeira com os outros
(eles nem precisam saber disso)
e posso ser verdadeira comigo mesma em não me sentir tão bem assim!
(Quem sabe assim não precise responder porquê.)
Pode ser que os motivos não se justifiquem.
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